13 de março de 2012 § Deixe um comentário
Dia 09 de março de 2012
Minha barraca está montada embaixo de um pinheiro muito grande que serve de ninhal para um bando de pássaros pretos. Acordo com uma sinfonia que nos acompanha enquanto arrumamos nossas coisas para começar a remar. Duas horas depois e tudo está embarcado, aqui o barranco alto e liso nos dá trabalho para por tudo nos caiaques.
Segundo funcionários da represa, alguns dias atrás houve uma enchente muito grande por aqui e como o rio está dentro de um cânion suas águas sobem muito rápido. A medida na régua que controla o nível do rio foi a seis metros em poucos minutos.
Em alguns locais as pessoas desmatam para acampar, encontramos deslizamentos com árvores inteiras dentro do rio que assoream ainda mais o leito. Vamos descendo com uma correnteza tranquila, o rio nessa parte já tem uma largura de uns 10 a 15 metros. Sacolas plásticas e garrafas pets vão “enfeitando” as margens e algumas lavouras chegam muito perto do rio, a ganancia do homem não deixou mais que uma tênue linha de mata ciliar.
Em algumas horas chegamos à estação de captação da Sanepar, aqui e na Barragem do Alagados é feita a retirada de água para abastecer a cidade de Ponta Grossa. Fazemos um portagem (desvio por terra) e voltamos para a água. Notamos que a quantidade de lixo aumenta nas margens à medida que nos aproximamos da cidade. Enfim, chegamos à foz do Rio Verde. O cheiro é insuportável, aqui uma língua negra agora entra no Pitangui. A paisagem em nada lembra a água cristalina do balneário do Rio Verde. Saímos da água, pois a possibilidade de contrair uma doença é grande e não justifica o risco. É impressionante, como podem tratar um bem tão precioso como a água dessa maneira? Não da para acreditar que os órgãos públicos deixaram chegar a esse ponto. O local é um esgoto a céu aberto. Carregamos nossas coisas e voltaremos para continuar a pé, pois é impossível remar nessas águas.



